Wednesday, November 23, 2005

confissões femininas

Nesses últimos dias, tive uma dose de confissões femininas. Minhas, de grandes amigas, de colegas, de "orelhada". E no fundo, somos quase todas iguais.

Quando dizemos que vamos beber com amigas em um bar, homens!, relaxem. Vamos sim, realmente, beber e conversar de tudo. De nós, nossos cabelos , nossas neuras, nossos respectivos, nosso passado, nosso futuro, comentários gerais de opção de sexual de terceiros, falar de compras, roupas, sapatos, bolsas, rir e nos setirmos unidas, compreendidas.

Temos uma paranóia de sermos pior que as exs de vocês. Mas também temos orgulho próprio. E detestamos escutar frases do tipo "ela tem um bom coração, não era feia, não tinha nada de errado". Então tá ótimo! Se não tinha nada de errado porque não deu certo? Por que vai dar certo comigo? Somos seres criados naturalmente para encanar com o mais absoluto nada.

Conversamos sim sobre sexo. Não é exclusividade masculina. Tudo bem, não falamos detalhes, performances, nem nada disso. Mas falamos de uma maneira mais feminina, mais romântica, mais "bonitinha".

Queremos ser mulheres mais fortes, mais decididas. Queremos poder trocar o pneu do carro sem auxílio. Queremos bancar independentes, seguras. Pagar nossas próprias contas, dirigr e acelerar nossos carros. Mas não se enganem. Somos frágil.

Queremos ser abraçadas constantemente. Queremos ter um homem ao lado para trocar o pneu do carro, ou melhor, ter alguém em um relacionamento tão bacana que ele leva teu carro para um check up mensal, ou sei lá com que outra periodicidade. Queremos que nos olhem com olhares meigos e saibam que a gente finge! Gostamos de homens que paguem conta de restaurantes e cinemas. Mas também queremos pagar uma ou outra para ficar tudo em pé de igualdade. Queremos café da manhã na cama. Queremos olhar vocês dirigindo em uma estrada perigosa. Queremos dormir com a sensação de que somos especiais. Queremos acordar com a sensação de ter tido o sono velado.

Tristemente, vi uma amiga dizer que depois que se casou deixou de ser ela mesma. Que perdeu o contato com as amigas, nunca mais saiu para dançar. Ela, que sempre chamou para si as responsabilidades da casa, deste a juventude, continua bancando a forte, mas não consegue se mostrar um bichinho perdido na frente do marido. Em total crise existencial. Não quero ser ela amanhã. Quero continuar com minhas amigas, com minhas manias, com minhas escapadas (novas confissões femininas, eu resumiria). Quero olhar para a pessoa que está ao meu lado e ter um retorno de compreensão. Seguida de um olhar meigo que me diga que sou especial. E que o passado pouco importa.

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