Tuesday, February 22, 2011

Undealt issues

As questões mal resolvidas do passado são uma bebida ácida, que lentamente corroem relacionamentos atuais e infecionam feridas que nunca vão fechar.

Frequentemente tenho sonhado com alguns nomes do passado, em uma nítida tentativa inconsciente de resgate dessas situação. De colocar um ponto final. Em um dos casos, sei exatamente o que devo fazer e qual é a raiz do problema.

Já 0 outro caso, é um tanto mais complicado, pois envolve questões que ainda não soube digerir e nem como posso relacioná-las com a situação atual. Droga! E pior, não tenho nem como resgatar ou voltar a falar com essa pessoa. Porque para ambos, de certa forma, o ponto final já foi dado.


Saturday, July 31, 2010

And counting

For 37 times I was said goodbye
For 37 times I was left to cry

For 37 times they lied to my face
For 37 times I was left feeling ashamed

At the 38th time I held my head up high
Because for the 38th time I had no one to rely

Unsafe and unconfortable I was
because a lot of pain it might cause
Yet with a sense of hope I opened the door

Sunday, June 13, 2010

Voce ainda existe

Você ainda existe. Com seu sorriso torto, mão pequena e conversa eterna.
Sei que estou exagerando, que não sou eu mesma ultimamente, que nem o espelho me reconhece. Tá bom, confesso que pode não ser tão bonito assim, ou ter uma vida mais mundana do que estou imaginando, só que quero ver isso, tudo isso ao mesmo tempo. Quero ver e ter você.

Quero me enganar um tempo mais, julgar equivocadamente os meus sentimentos, me deixar ser absorvida por sua sedução, embora talvez nem desconfie do poder dela sobre meu estado de espírito.

Enfim, novamente, quero o que não posso ter. Como faz?

Sunday, May 23, 2010

Thursday, April 15, 2010

Te beijei

Eu te beijei loucamente essa noite e nem posso te contar sobre isso.
Eu te beijei tão suavemente, tão docemente que nem eu pude acreditar nisso.

Você tinha um jeito meio engraçado e tímido de se aproximar de mim, mas era bem decidido.
Você se transforma e se revela um incrível homem.

Você me assustou e me empolgou.
Poderia repetir esse procedimento todos os dias e todas as noites. Beijos suaves, caricias tranquilas, mão forte na minha, olho no olho e aquele espaço reservado para conversa e cumplicidade que só amigos podem ter entre si.

Monday, February 01, 2010

Celebrar o novo

Rituais de passagem nunca me interessaram. Acho besta, fútil e frívolo. Em um mundo capitalista, ele também significa algo caro em que alguém ganha muito dinheiro para fazer esses momentos "marcantes".

Estou falando de casamento, despedida de solteiro, chá de bebê, festa de quinze anos, qualquer outra festa de aniversário, festa de formatura, colação de grau. Também incluo nessa categoria os famosos trotes universitários. Puta babaquice.

Já se foi o tempo em que uma despedida de solteiro indicava a última noite livre de um homem ou a "iluminação" da mulher para uma nova vida conjugal. Os jovens precisam encarar que a faculdade é sim um rito de passagem: para a maturidade e não para a esbórnia alcóolica.

Os pais atualmente são bem liberais e permitem sexo, bebida e farras em casa, em outros espaços e a idades cada vez mais precoces. Então, passar aquele mico desnecessário pedindo dinheiro em faróis todos sujos para depois encher a cara não dá mais.

Não fortalece amizades com colegas de turma ou de curso, não reforça a moral ou caráter e certamente não ajuda a passar nas matérias que serão lecionadas ao longo do primeiro ano. Então, que tal os universitários brasileiros despregarem sua mentalidade de seus umbigos e começarem a pensar em algo mais grandioso, que esse sim, pode criar novos vínculos com pessoas, tornar-se mais responsável, ético e efetivamente marcar um rito de passagem valioso.

Sei, porque já vivi isso, que aos 18/19 anos você não se preocupa com a crise no Haiti, com a população ilhada e isolada em suas casas há quarenta dias, sem ter o que comer ou ter como se mobilizar para comprar mais alimentos ou itens de higiene, afinal não tem barco. Você não liga muito para o que o Fed e o Banco Central falam da taxa de juros e se bobear acha que previdência privada é alguma piadinha ou nome de festa universitária.

Ao mesmo tempo sei que o passado só indica o futuro, o que podemos melhorar e superar. E acho que essa é uma fase vital a ser melhorada: chega de trotes estúpidos, etílicos e que -vez ou outra - acabam em morte. Vamos celebrar o novo, de forma relevante e digna a um número maior de pessoas.

Friday, January 15, 2010

encruzilhada haitiana

A pequena ilha no Caribe chamada Haiti não era nada para o Brasil ou para o mundo até a última semana. Talvez um ou outro compatriota possa se lembrar do CD do Caetano em que questionava se o Haiti era ou não aqui.

Mas agora, em 2010, a nação chama a atenção pelo terremoto que devastou o País já miserável pela pobreza, pela fome e pelas instabilidades que só os homens podem gerar: política, econômica e social.

Ninguém sabe ao certo o número de mortos no terremoto - algo entre 50 e 100 mil pessoas estimam certas agências de notícias. Calcular os estragos financeiros com a reconstrução do país e das vidas daqueles que resistiram aos abalos sismicos então, nem pensar.

Um sem número de ações de ajuda humanitária já está a caminho da ilha, onde não tem nem um macaco hidráulico para levantar o que restou de casas e prédios em busca de sobreviventes, corpos ou seja lá o que for. Tudo é manual, sofrido, feito com voluntários e com o mais arcaico modelo disponível no mercado.

Se a situação já estava triste antes, imagine pós-terremoto. E eu, como tento pensar ainda mais no futuro das coisas (nunca o meu próprio futuro) tento visualizar o que será no pós-reconstrução.

No País, mais da metade de seus habitantes, algo como 9 milhões, vive com US$ 1 ao dia. Milicias armadas de civis disputavam nos dentes e nas balas território em que havia alimento. Não é como na nossa Rocinha ou nos nossos suburbios urbanos: na disputa por ponto de drogas, por ponto de prostituição ou seus genéricos. A maleza lá é pior: mondo cane, dog eat dog mesmo!

A briga é por alimento, a disputa é por água potável, por pão, leite, carne. O que sobra lá são violência, armas contrabandeadas de não sei da onde, pessoas revoltadas e sem esperança de uma vida melhor.

Ouvir histórias dos militares brasileiros sobre aquela área (apesar da mídia não ter dado tanta atenção ao fato como agora) é triste. Eles foram inicialmente hostilizados e agredidos pelos haitianos na chegada, apesar de participarem de uma missão de paz e de construção do país.

Olhar alguém que representasse uma invasão, que demonstrasse haver um mundo melhor (mesmo que ele seja o Brasil, com seus problemas e virtudes) e lhes tirasse o poder das armas - a única coisa que bem ou mal lhes conferia poder e autonomia - era revoltante, odioso e cruel. Motivo para matar.

O Haiti agora está em uma encruzilhada - decidir se reconstrói o País nos pilares da tentativa de igualdade, de uma humanidade real, da democracia e das oportunidades ou se a devastação e a dor da perda do pouco que eles ainda tinham será o fator predominante e só veremos um país ainda mais dilacerado, violento, pobre e sem esperança.