Saturday, March 14, 2009

A vida e o amor

Com o passar do tempo descobri que quando se trata de conselhos afetivos, as pessoas não necessariamente gostam da honestidade - seja quem está dando ou quem está recebendo os conselhos. Tome o meu caso por exemplo, com o D.P., poucas pessoas falaram que ele era um idiota, desnecessário e com zero de compatibilidade comigo. Mas quem quer dizer isso a alguém apaixonado? Eu certamente não queria ouvir, afinal ele seria o homem da minha vida.

Mal sabia eu que depois surgiram outros homens, do mês, do ano, do semestre, e da vida. Nenhum "vingou", como a sabedoria popular diz sobre plantas. E agora que estou há algum tempo distante desse mundo de romance, sexo e sedução, tendo a ser mais fria e objetiva quando me perguntam sobre os temas do coração. 

Na sexta, boa parte da discussão do happy hour foi, obviamente, sobre relações afetivas, como tais pessoas não dariam certo, como fulana está apaixonada pelo Joãozinho Sem-Vergonha.  E por aí vai.  Pois bem, ontem tive a oportunidade de praticar algumas das minhas filosofias, em voz alta, para calorosa recepção e até choque dos interlocutores. 
 
Reforcei minha teoria sobre mulheres (e homens) totalmente desapegadas de sentimentos, e com que -  novo termo aprendido ontem - fazem milhagem. Sobre relacionamentos bumerange.  

Será que o que fiz naquela vez para provar que a pessoa poderia confiar em mim foi tão chocante assim? Tão inesperado, não apenas pela situação, mas porque tal atitudade foi tomada por mim? Adoraria ter um dia que saisse do meu corpo e observasse, de outro ponto de vista, como sou. 

Sempre me considerei uma pessoa óbvia, sem graça mesmo, talvez piadista até certo ponto para evitar outros tipos de comentário, boa gente, fiel as amizades. Camaleônica no que se trata de gostos e de desejos, mutante no humor e fixa com algumas idéias, boas e ruins. 

Agora pergunto. Será que sou assim? E que tipo de amor isso me traz?


Tuesday, March 10, 2009

Homem fortaleza

Enquanto muitos discutem se o Obama está ficando grisalho de preocupação ou se isso não passa de uma jogada (e visual) de marketing, prefiro comentar sobre suas ações. Não sou leitora de Caras.

Por um tempo torci pela vitória do McCain por motivos escusos (no comments....) e por achar que uma continuidade na linha administrativa do governo americano permitiria uma retirada mais veloz das tropas americanas do Iraque e Afeganistão. Afinal, o que seria da opinião pública se um novo presidente, negro, filho de muculmano, jovem e viciado em tecnologia como plataforma de democratização do acesso das informações, tomasse uma decisão tão esperada por muitos e sem propósito por outros?

Mas não é o que o homem fez? Ele deu data e tudo. Pode ter sido coragem pura. Pode ter sido muito motivado pela crise (e que crise!). Pode ter sido motivado pela inexistência das armas de destruição em massa e da queda do valor do barril do petróleo. Vai saber.....

Outro tema comovente e polêmico é a famosa utilização de células tronco embrionárias por pesquisas científicas. São esses mini babies em formato celular que estão "dando a vida" em nome da ciência. São essas apenas células humanas, quase arranjadas em uma linha sequencial, que podem se tornar (ojala!!) o que a ciência apontar. Novos órgãos, novos tecidos, etc?

Tantas indagações fizeram o governo anterior vetar qualquer tipo de estudo ou de inciativa financiada. Mas o que? Quantos meses de governo e o rapaz, negro, filho de muculmano, jovem e viciado em tecnologia como plataforma de democratização do acesso das informações, revogou tal decisão.

Cientistas ganharam a liberdade (ojalá que com conduta mais do que ética e comprometida) para conduzir estudos que podem reverter doenças avassaladoras aos adoentados e suas famílias. E quem sabe se esse é o caminho da ciência para a próxima década?

Sem dúvida, Obama é um homem fortaleza. Vai sofrer impactos, agressões, vão tentar pilhar e derrubar sua construção. Vai ficar grisalho, seja cosmeticamente ou por motivos de estresse puro. E continuará, seja por isso ou por outras polêmcias, discutíveis e honradas decisões que tomará durante a sua gestão.

Momentos do dia - parte 1

E aquelas meias creme, surradas, que deslizavam de suas finas canelas estavam irritando a minha visão. Não conseguia fixar meu foco na importância da discussão envolvida enquanto aquela imagem estava presa no meu campo ocular.

Me mexi na cadeira. Virei meus olhos, comecei a rabiscar meu bloquinho de notas. Respirei fundo. Mas não consegui. Aquela canela tobogã de meias sintéticas de cores coxinhas virou uma fixação.

Começou uma negociação interna entre questionar abertamente a decisão pelo modelito, pelo tipo da meia sintética, com cara de material barato, ou talvez presente de tia, ou me segurar e conter um "grito de liberdade intelectual" ao me revoltar com a cena. Sei lá, pedir para se mexer na mesa, manter uma postura mais correta a fim de evitar a contaminação dos meus olhos por tal imagem.

Minutos que pareciam horas me consumiram. Ainda bem que não sou Hamlet discutindo minha existência.

Sunday, March 08, 2009

Mundo fast food

Estamos acostumados ao mundo imediato, em que tudo acontece rapidamente, a agilidade é a regra do jogo. Relacionamento relâmpagos, praça de alimentação com comida gosmenta semi pronta, internet banda larga, duas simples trocas de SMS e um programa agendado. Carros velozes, músicas comerciais que vem e vão. Pipoca que ficam prontas em minutos, quase tudo vai pro microondas. Banhos rápidos (e ecológicos), fast trainning na academia. Tudo para otimizar o tempo. Saber fazer valer os minutos do nosso dia. 

Tudo é fast food. Vivemos em um mundo de consumo imediato. Para o bem e para o mal.
Sabemos que podemos ter quase tudo de imediato. Esfiha que se não chega em 28 minutos, é de graça. Pizzas em trinta minutos, ou grátis. 

O imediatismo também  chegou às relações. Podemos ter alguém por alguns minutos e algumas horas. E crise de consciência? Para que? Se tiver, rapidinho passa. Pedidos de desculpas, discussões de relacionamento instantâneas - viva a tecnologia. Mandar fotos e videos para o outro lado do mundo, a clique de um ou dois botões. E lá você está. Até a literatura ficou - senão minimalista - instantânea. Histórias curtas, bem curtas, de 50 palavras. Leu. Acabou. 

Queremos remédio de ação imediata. Emagrecer da noite para o dia, ficar sarada e durinha em algumas semanas, tomar uma pílula para fazer passar a dor mais rápido. Seja ela física ou emocional. 

Queremos acabar a faculdade rapidamente, arranjar um emprego logo, emendar uma promoção na sequencia, sem perder tempo, alcançar  o sucesso profissional, conciliando com isso a família perfeita, o relacionamento que começou instantâneo, mas vingou para valer, aquela amizade que do corredor ou do elevador, imediata, pode te render uma madrinha de casamento, ou do batizado do filho. E para as menos românticas.... aquela parceira para as aventuras de explorar o mundo. Planeta. Países. Vizinhos. 

E esse imediatismo, também midiático, nos faz esquecer, tão rapido quanto nos revoltou, aquelas situações horrorosas, aquela violência gratuita, barata, desnecessária e perigosa que temos nas grandes e pequenas cidades. Bandidos, pé de chinelo ou chefões com armas mais poderosas que o exército israelense, matam pessoas, as atiram de precipícios, estupram, ateiam fogo. Para ter, também de imediato, um novo bem material, para si ou para revenda. Instantânea, em troca de mais drogas, de outras armas, de mais veloz ascenção social. Padrastos, pais, tios, avos,vizinhos e desconhecidos que violentam adultos e crianças, aquela miseria que pune, que condena, que envenena. 

Há quem diga que o mundo deve ir mais devagar, adotar o movimento slow food, slow living, slow dating, slow writing. Tudo com mais calma, para apreciar melhor a familia, os momentos, os amigos, as dádivas recebidads, reconhecer porque tomou aquelas pauladas... com calma. Digestivo. Apreciativo. Divino. Devagar. 

Já outra corrente prega o desapego. O desprendimento do material, do possessivo, da comparação com o vizinho. Para não ter que acelerar ainda mais e cobiçar aquele corpo novo e sarado, aquela roupa nova que acabou de descer do desfile de moda da estação, do novo namorado da amiga, do novo celular faz tudo. 

Não sou contra nada disso. Nem de ir rápido e querer mais e mais. Muito menos de pedir para irmos mais devagar, sem tantas necessidades. Sou mais complicada. Quero tentar me encaixar nesse mundo... ora rápido, ora devagar. Em que me perco e me acho, com tremenda agilidade. 

Em que me questiono porque tão rapidamente me autosaboto, porque demoro para correr riscos, como me apaixonar novamente. Porque demoro para crescer. Porque nasci prematura. Porque tento ser quatro em um, para dar conta de tudo e de todos. Porque não tenho tempo para falar com a familia? Porque como tão rapidamente, mesmo quando tenho tempo. Porque não gosto de andar na esteira e sim correr. Estaria perdendo tempo ou peso? 

E de imediato, termino o post. Já pensando no próximo.

Thursday, March 05, 2009

E a verdade sobre o sexo

Outro dia ouvi na rádio um comentário sobre a nova pesquisa a respeito de sexo na população brasileira. Aparentemente, somos uma nação de insatifeitos com nossa performance, particularmente os paulistas (ou seriam os paulistanos?) enquanto o pessoal em Manaus tava mega feliz com a festa dos lençois. 

O que me traz à pergunta - qual a relevancia desse estudo? E qual o grau de confiança desse estudo. Não sabemos todos que homens falam que são tão insaciáveis quanto gostam de futebol? E que as mulheres mostrar que aquela queimação coletiva de sutiãs serviu para dar voz, direitos iguais e a garantia de se pronunciar feliz e interesada em sexo. Quanto as pessoas falam a verdade, não sei. E honestamente, não me importo.

Acho uma besteira tamanha. Se só tenho interesse na minha vida sexual, e de ninguém mais, imagina só de toda uma nação.