Tudo é fast food. Vivemos em um mundo de consumo imediato. Para o bem e para o mal.
Sabemos que podemos ter quase tudo de imediato. Esfiha que se não chega em 28 minutos, é de graça. Pizzas em trinta minutos, ou grátis.
O imediatismo também chegou às relações. Podemos ter alguém por alguns minutos e algumas horas. E crise de consciência? Para que? Se tiver, rapidinho passa. Pedidos de desculpas, discussões de relacionamento instantâneas - viva a tecnologia. Mandar fotos e videos para o outro lado do mundo, a clique de um ou dois botões. E lá você está. Até a literatura ficou - senão minimalista - instantânea. Histórias curtas, bem curtas, de 50 palavras. Leu. Acabou.
Queremos remédio de ação imediata. Emagrecer da noite para o dia, ficar sarada e durinha em algumas semanas, tomar uma pílula para fazer passar a dor mais rápido. Seja ela física ou emocional.
Queremos acabar a faculdade rapidamente, arranjar um emprego logo, emendar uma promoção na sequencia, sem perder tempo, alcançar o sucesso profissional, conciliando com isso a família perfeita, o relacionamento que começou instantâneo, mas vingou para valer, aquela amizade que do corredor ou do elevador, imediata, pode te render uma madrinha de casamento, ou do batizado do filho. E para as menos românticas.... aquela parceira para as aventuras de explorar o mundo. Planeta. Países. Vizinhos.
E esse imediatismo, também midiático, nos faz esquecer, tão rapido quanto nos revoltou, aquelas situações horrorosas, aquela violência gratuita, barata, desnecessária e perigosa que temos nas grandes e pequenas cidades. Bandidos, pé de chinelo ou chefões com armas mais poderosas que o exército israelense, matam pessoas, as atiram de precipícios, estupram, ateiam fogo. Para ter, também de imediato, um novo bem material, para si ou para revenda. Instantânea, em troca de mais drogas, de outras armas, de mais veloz ascenção social. Padrastos, pais, tios, avos,vizinhos e desconhecidos que violentam adultos e crianças, aquela miseria que pune, que condena, que envenena.
Há quem diga que o mundo deve ir mais devagar, adotar o movimento slow food, slow living, slow dating, slow writing. Tudo com mais calma, para apreciar melhor a familia, os momentos, os amigos, as dádivas recebidads, reconhecer porque tomou aquelas pauladas... com calma. Digestivo. Apreciativo. Divino. Devagar.
Já outra corrente prega o desapego. O desprendimento do material, do possessivo, da comparação com o vizinho. Para não ter que acelerar ainda mais e cobiçar aquele corpo novo e sarado, aquela roupa nova que acabou de descer do desfile de moda da estação, do novo namorado da amiga, do novo celular faz tudo.
Não sou contra nada disso. Nem de ir rápido e querer mais e mais. Muito menos de pedir para irmos mais devagar, sem tantas necessidades. Sou mais complicada. Quero tentar me encaixar nesse mundo... ora rápido, ora devagar. Em que me perco e me acho, com tremenda agilidade.
Em que me questiono porque tão rapidamente me autosaboto, porque demoro para correr riscos, como me apaixonar novamente. Porque demoro para crescer. Porque nasci prematura. Porque tento ser quatro em um, para dar conta de tudo e de todos. Porque não tenho tempo para falar com a familia? Porque como tão rapidamente, mesmo quando tenho tempo. Porque não gosto de andar na esteira e sim correr. Estaria perdendo tempo ou peso?
E de imediato, termino o post. Já pensando no próximo.

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