Friday, February 10, 2006

Se tem algo de que eu realmente gosto é música. Boa, ruim, embalada, estranha. Minha vida não funcionaria se eu não pudesse aliar sensações e momentos com determinadas canções e performances musicais. Por exemplo: lembro-me da fase de 95-96, quando eu fui morar nos EUA. Além das ruas, cheiros, situações, associo músicas e bandas, por exemplo: Evan and Jason, Jennifer Paige, NadaSurf, Faith Hill, Gin Blossom, Coolio, com essa época. Fui quando comecei a escutar a black music americana, os rappers (na fase bem gangsta), o pop yankee. Também morro de saudades de uma dessas fitinhas cassetes que minha irmã me mandou na ocasião, mostrando o que tava rolando musicalmente aqui em Terras Brasilis.

Então não seria muita surpresa pensar que eu assisti todo o Grammy exibido essa semana pelo canal do seu Silvio. A apresentação contava com o Boscoli da Trama e a Galisteu, da própria casa. Gosto de ambos, seria uma noite agradável. Eu nem tinha idéia do quão agradável e hilário seria. Alguns comentários tecidos pela Galisteu foram célebres.

Antes de chegar nesse momento até engraçado do meu post, queria ressaltar alguns shows que deram todo o charme a essa edição do Grammy. Abertura foi maravilhosa, os virtuais Gorillaz tocando "Feel Good, Inc" quando no meio aparece os caras do De la Soul com seus scraps para a entrada triunfal da Madonna, que não tava concorrendo a premiação deste ano. Ela é simplesmente bárbara. Excelente performer.

Para quem gosta, mas não é o meu estilo -- Paul McCartney em show solo e depois com os meninos do Linkin Park e Jay Z.

Show performático típicamente americano: Kanye West e Jay Z, que simularam um fanfarra universitária com seus raps e depois partiparam para a música "Gold digger" e performance meio stomp de um duelo masculino versus feminino.

Ah.. Fantasia em um momento black meio anos 70!! Ela, bem como a Kelly Clarkson que levou dois Grammys na noite para a surpresa de muitos puristas da música, saíram do programa televisivo American Idol direto para o topo da parada. Só que a Fantasia tem uma mega voz potente e atitude.

1ª - Eminem - Durante a premiação de melhor rap (ou algo similar) ela queria falar alguma coisa, então disse que o Eminem era um forte candidato. O Bôscoli a corrigiu, dizendo que o rap americano tava com novos expoentes, etc. Ela insistiu. Disse que o Eminem era diferente dos demais candidatos (queria dizer que era branco). Seu colega, muito inteligentemente, começou todo um enredo sobre como a indústria fonográfica americana sempre buscou personagens “diferentes” como o Elvis, que cantava músicas quase de negros, mas era branco e seduzia a gregos e troianos. Ela ainda insistiu: “mas ele faz um gênero diferente, ele faz papel de bom moço”. Surpreso, Boscoli comentou que não era bem assim, ele faz letras agressivas e citou até um videoclipe onde ele aparece enterrando a mãe. Mas não conseguiu conter a onda da ignorância. Segundo a moçoila: “ah, é licença poética, mas na vida real, a coisa é diferente”. Ah, claro, BEM diferente, afinal a mãe ainda não morreu

2ª - Botox – Durante a apresentação do Bono Vox com a Mary J. Blige, nossa musa loira soltou um comentário que o rosto do bono vox estava muito lisinho, deveria ter Botox ali. E sobre a cantora de R&B, com mais de uma década de carreira, sólida por sinal, ela comentou que gostava de ver suas performances, porque as roupas que a cantora usa são sempre extravagantes. Música – zero, moda – 1.

3ª - Europa – Durante uma categoria de rock, na qual o Franz Ferdinand participava, a Galisteu quis falar que é antenada e citou que ganhou um CD dos caras de presente do próprio Boscoli. O rapaz, simpático, explicou que era uma banda recente, ainda um tanto desconhecida do público nacional, mas que nós teríamos o privilégio de vê-los abrindo o show do U2 em SP, que o próprio Bono havia escolhido pessoalmente os meninos para a perna sul americana da turnê. Ela comentou que os franceses eram muito bons mesmo. França não fala inglês e nem é uma ilha. Não seria Escócia??

Pois é, sento e choro e rio ao mesmo tempo. Afinal fiz 4 anos de jornalismo, dominei outras duas línguas perfeitamente, mais um medianamente além do português para me firmar e aparecer nesse mercado, mas quem se destaca mesmo já posou pelada, aparece em realitiy shows e cosichas assim. Devia mesmo ter investido naquela lipo!

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