Americanos oferecem ao mundo, seja pela gastronomia, cultura, arte ou reconhecidos meios sociais e culturais vários aspectos plásticos, artificiais e superficiais. E confesso que ADORO todos. Quer queijo mais pasteurizado e fake do que o cheddar? De onde surgiu aquele amarelo alaranjado praticamente brilhante no escuro? e o hamburguer do Mac que parece tudo menos carne? Os filmes de mocinho e bandido em que o bem sempre vence? As histórias românticas de amor em que a feia fica com o galã, que o amor supera tudo e todos vivem felizes para sempre? ECA... pára para pensar como não funciona na vida real!! E ainda assim sou fanática por tudo isso.
Agora, tem uma característica tão típica da cultura e da sociedade americana que é mega plastificada, sem próposito real a não ser tentar conquistar algum resquício de superação/revanche/ vingança/curiosidade do que os encontros para relembrar as formaturas de colegial, de faculdade, etc. Na boa, é engraçadíssimo ver planos (e conheço histórias da vida real - não de filmes apenas) de pessoas que se preparam durante meses para reencontrar os velhos rostos conhecidos de colegas de classe. Para mostrar que a cheerleader linda que se casou com seu primeiro amor da escola, provavelmente do time de basquete, beisebol e futebol americano, está infeliz no casamento com filhos pestinhas? Ou aquele mega nerd que sonha em exibir seu carro último modelo e top model a tira colo porque inventou algum gadget improvável e que hoje em dia salva a vida de milhares (literalmente ou não). Mostrar que emagreceu, que engordou, que se casou, que ficou mais feliz, infeliz, e em especial que continua tão competitivo do que na adolescência ou juventude.
É uma interação social besta, típica de sociedade competitiva e que preza um padrão surreal de perfeição em moldes pré-formatados, estabelecidos com base em códigos de conduta ultrapassados, mas que até hoje são altamente visados e ambicionados. Ainda assim, sonho em participar de um. De ter um desses meu.
Quando era criança, falava para minha mãe que escreveria um livro para me "vingar" de colegas de escola que faziam arruaça ou simplesmente demonstravam apatia quando o assunto era eu. E para qualquer criança, isso é o pior tipo de ostracismo social. Hoje em dia, com livro publicado, acho uma besteira GIGANTESCA. As pessoas estão pouco se lixando para mim, para o que eu conquistei ou deixei de fazer desde então.
Só que eu não. Tenho uma certa curiosidade (mórbida, seria?) de saber onde estão tais pessoas. Até porque sofro de um déficit de atenção horrível quando se trata de pessoas, de me manter sociável e de "domesticar" e de cuidar de amizades e relacionamentos. Não procurei ninguém dos colégios que estudei no Orkut. Não lembro do nome das pessoas com as quais frequentei o mesmo clube esportivo, com quem disputei partidas esportivas e me diverti. Mas curiosamente, as pessoas da faculdade, quem também pouco fiz para cultivar e manter o contato, tenho interesse em saber por onde andam.
Agora, em época de olimpíadas, descobri que um colega está narrando esportes. Será que foi sempre ou foi contratação temporária por conta dos Jogos na China? Uma outra, li outro dia em um blog, realizou (parcialmente, pois não vi nada além disso) seu sonho de escrever sobre um assunto que jurava ser mestra expert enquanto estudávamos. Vira e mexe leio nomes e os reconheço como colegas de aula. Mas são raros, e não vou muito atrás. Nesse caso, acharia sensacional me reunir com essas pessoas e ver como anda a vida.
Para entender o meu grau de "desconhecimento de rostos passados", na última semana fui a um evento a trabalho, mas também por motivos pessoais para reencontrar colegas. Cumprimentei um rapaz com o tradicional sobe-e-desce de pescoço, e ele reproduziu o mesmo movimento. E tentei passar boa parte do evento desapercebida, pois se ele viesse puxar assunto comigo, estaria frita, sem saber reconhecer da onde e como iniciar uma conversa.
Acontece que, o mundo é uma ervilha, e uma das pessoas que conhecia no evento também o conhecia, me ajudou a posicioná-lo na minha história de vida (colega de um dos colégios que estudei). Ele inclusive veio conversar comigo, relembrou de uma outra história em que ele me viu em uma rua X onde ele trabalha (sim, o mundo é uma ervilha anã) anos após termos estudado juntos ele reconheceu meu rosto, retomou esse assunto a semana passada. E fiquei tão perplexa de alguém lembrar de mim há tanto tempo e em tantas ocasiões que não me lembro do nome do rapaz. E agora torço para não encontrá-lo mais, pois continuaria sem o reconhecer apropriadamente.
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1 comment:
Nossa, esses high school reunions sao sinistros!! Fico pensando em como vou ensinar minha filha a nao se importar tanto com a posicao hierarquica que ocupa no colegio. E que o high school sao 4 anos e nao vai decidir a vida dela.
Mas por aqui isso eh o maior big deal!!
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