A culpa não é sua, o problema é comigo. Acabo me deixando seduzir por suas promessas, por seus problemas. Consome-me a alma, a vida, o tempo, a mente e a saúde. Tudo começa com aquele olhar sedutor, aquele deslize sem propósito, aquele chope fora de hora, o cigarrinho no dia de chuva, o bolo quente no meio da tarde, aquele programa fora de hora, e por aí vai.
Quando me vejo, quando recobro a consciência, olho no espelho e não reconheço quem me olha de volta. Sou uma fantasma, sem voz, sem juventude, sem beleza. Entramos então em uma batalha: quem vai ganhar desta vez?
Seria você e suas manias - bastante sedutoras - ou eu e minha tentativa de me encontrar? Desta vez, querida, tenho que me despedir de você. Não está me fazendo bem, a sua alegria de viver acaba por me tirar o prazer de buscar a minha. Por favor, entenda. Deixe-me ser também egoísta, tal como você.
Sei, amiga, que virá me procurar de novo, vai bater na minha porta, me ligar, quando menos esperar vai estar me admirando do canto, virá cantando as músicas que me emocionam ao meu encontro: olhará pra mim na hora do refrão e comproverá o quão fácil eu sou seduzida, não é?
Pois é. Até lá. Hoje é o nosso último encontro. Vou fazer um jantar bacana, vamos ver um programa sem noção na TV, rir de monte, colocar um vídeo e chorar um tanto. Aí vou dormir e quando acordar não quero ver nem sombra nem rastro seu. Já não faz parte da minha vida.
Estou te e me prometendo uma nova vida, mais saudável, alegre, mais tranquila e melhor compartilhada com quem merece.

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