Sim, eu sei que toda criança vê alguns adultos, sejam seus pais, a Xuxa, o Sérgio Malandro ou até o Sílvio Santos como verdades modelos, ídolos até.
Passíveis de adoração ou de profundo e intenso respeito. Até determinado nível, eu acho isso super saudável, especialmente quando esses ídolos merecem essa adoração. Só que quando se cresce, percebe-se que nem tudo são flores, que a nave da Xuxa não levantava vôo de verdade e outros tantos mitos caem por terra.
Confesso que nunca tive muito disso na infância. Óbvio que adorei alguns "adultos" na minha vida particular e outros tantos da televisão, mas nunca mudei de atitude ou passei a venerar determinadas pessoas em função do que me era apresentado. Acho que sempre fui muito teimosa e com uma cabeça muito própria, até hoje tenho problemas em concordar com algumas idéias, por mais brilhantes que possam parecer.
Agora, o que dizer de uma pessoa já adulta, casada, que continua a agir como uma criancinha mimada e que acredita que determinadas atitudes de um "adulto" ainda são passiveis de suspiro e intensa admiração? E especialmente quando essas atitudes não são assim tão maravilhosas?
Pois é, me deparo com essa dúvida quase todos os dias, e especialmente agora nesse último mês, em que vejo minhas vontades e meus direitos sumirem, praticamente deixarem de serem reconhecidos como tal, para dar lugar a certos mimos e "coleguismos" - aos quais nunca me associei ou simpatizei.
Hoje, por exemplo, fui praticamente chamada de "ingrata" por dizer que checaria com ele como e quando poderíamos fazer o transporte dos eletrodomésticos. E não falei isso porque não estava a fim de pegar as coisas, ou porque eu sou terrível e sem consideração com as necessidades alheias, pois precisam deixar o apartamento vazio em uma semana.
Fiz isso pois não sou eu quem tem um carro ou força para transportar tudo ou lugar para armazenar, e precisaria ver, sim, com uma pessoa que iria dar a melhor resposta pois tem todos os meios para a solução desta questão.
Ah..ainda fui questionada onde moraríamos pelos próximos anos, até a chegada ao Oásis. Como assim é minha decisão? Então me chame de louca, porque até onde eu tinha entendido, e olha que essas coisas mudam com uma frequência maior do que o cérebro humano pode suportar, eu entendi que a decisão seria de outros, e dependia de uma série de fatores alheios ao meu desejo.
Se a decisão fosse minha já estaria tomada, eu já estaria em outro lado, e de preferência com cadeado nos meus armários, pois assim meus shampoos, cremes e condicionadores teriam uma vida mais longa, bem como minha paciência.
Enfim.. falta muito para chegarmos ao paraíso na Terra, mas ah, como eu quero que o tempo ande rápido.